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Espírito, sanfona e poesia: Amazan colore o Palco Principal e celebra o forró raiz n’O Maior São João do Mundo

Rede Primeiro Minuto22 de junho de 2026
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Com o tradicional lenço amarrado no pulso, a sanfona de estimação no braço e um sorriso largo no rosto, Amazan subiu ao Palco Principal do Parque do Povo para provar que a essência d’O Maior São João do Mundo continua intocável. Na noite deste domingo, o poeta e cantor entregou muito mais que um show: ele conduziu o público a uma verdadeira viagem no tempo, resgatando a época de ouro do forró e a sensação saudosa dos primórdios da festa, quando as palhoças ainda eram erguidas com palha de coco.

O cantor, poeta e sanfoneiro Amazan subiu ao Palco Principal d’O Maior São João do Mundo com a missão de manter viva a chama do autêntico forró pé-de-serra. E para dar conta dessa responsabilidade, a preparação vai muito além da técnica, “A gente prepara mais o espírito, o coração, a alma e a energia para cantar para o pessoal”, revelou o artista em entrevista exclusiva no camarim, momentos antes do show.

Para a grande noite no Parque do Povo, o sanfoneiro preparou um repertório que uniu os seus sucessos mais recentes aos clássicos atemporais que o público campinense já sabe de cor. No entanto, o artista guardou uma carta na manga para surpreender a multidão: a presença de dançarinos tradicionais, “A gente trouxe como novidade uma quadrilha para dar uma abrilhantada e uma colorida especial no palco”, contou.

Cumprindo o que havia prometido nos bastidores, Amazan iniciou o espetáculo surpreendendo o público ao trazer uma quadrilha junina composta por oito bailarinos. A introdução, aclamada pela multidão, ganhou vida ao som do hino “É Proibido Cochilar”, dando o tom de que a noite seria dedicada a levantar poeira.

A era de ouro e o tributo aos pioneiros Flávio José e Petrúcio Amorim

Entre uma rima e outra, esbanjando a tradicional prosa nordestina, o sanfoneiro fez a festa de caravanas apaixonadas que viajaram de cidades como Natal, Fortaleza e Caicó apenas para prestigiá-lo. No repertório autoral, sucessos divertidos e sagazes como “Só Faço Menino Se For de Barro” e “Trio Que Presta” dividiram espaço com a delicadeza de “Pedra Turmalina”, canção que ele compôs em homenagem às mulheres.

Além do show cantado, Amazan deu um verdadeiro espetáculo à parte na sanfona. O repertório foi um mergulho profundo no forró dos anos 80 e 90, marcado pelas composições de duplo sentido que moldaram o forró raiz.

Fazendo questão de reverenciar os pilares da música nordestina, Amazan prestou homenagens emocionadas a Flávio José e Petrúcio Amorim, chamando-os de pioneiros do ritmo. O Parque do Povo cantou em uníssono sucessos como “Espumas ao Vento” e “Tareco e Mariola”, além da vibrante “Paraíba Jóia Rara”, de Ton Oliveira. Para delírio dos forrozeiros, clássicos eternos da banda Mastruz com Leite também entraram no setlist, a exemplo de “Meio Dia” e o hino “Vida de Vaqueiro” (1993).

O desabafo: a mãe, o rádio e a sanfona Leticce

O momento mais impactante da noite, no entanto, não veio de um acorde, mas de um relato de vida. Em uma pausa no repertório, Amazan abriu o coração para a multidão ao relembrar as dificuldades do início de sua longa estrada. Emocionado, ele revelou como conseguiu sua primeira “sanfoninha” — nas palavras dele, um instrumento “velhinho, feinho e enfadado” —, graças ao maior sacrifício amoroso que sua mãe poderia fazer na época.

“A minha primeira sanfona, minha mãe teve que trocar o único bem que a gente tinha lá em casa, que era um rádio, para que eu a tivesse. Mas foi nela que eu aprendi a tocar e a consertar. Depois, fiz uma fábrica, fiz uma fábrica e botei o nome da minha mãe. Minha sanfona tem o nome da minha mãe; dona Letice, em homenagem a ela. A estrada é longa, minha gente. O que tá aqui não caiu do céu não, viu?”

A declaração arrancou aplausos ensurdecedores do Parque do Povo. Aquele menino que consertava uma sanfona velha no interior transformou a luta da mãe, Dona Letice, em uma das maiores marcas de acordeões do país. Ao final da noite, Amazan desceu do palco com a certeza de que a troca daquele rádio humilde foi, na verdade, o investimento que garantiu a eternidade do forró nordestino.

Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto

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