O que era para ser apenas mais uma noite de descanso transformou-se na realização de um sonho em questão de minutos.
Convocado às pressas durante a madrugada para cobrir a ausência do cantor Toca do Vale no palco principal d’O Maior São João do Mundo, o cantor campinense Messias Melo não apenas aceitou a “missão de fogo”, mas entregou uma apresentação apoteótica, elevando a bandeira do pagode e do samba local na arena mais disputada da festa.
O desafio de retornar ao palco central — onde não se apresentava desde junho de 2019 — exigiu uma força-tarefa. Após receber a ligação da coordenação à 1h da manhã, Messias passou a madrugada em claro com seus músicos, recalculando a rota do show. O objetivo era criar um repertório que dialogasse com o público de Martinho da Vila, atração da mesma noite, sem perder a essência rítmica que o consagrou na cena local de Campina Grande.
O estilo Messias Melo e a reverência aos mestres
O esforço da madrugada foi traduzido em um espetáculo impecável.
Empunhando seu cavaquinho, Messias comandou a festa imprimindo o seu estilo autêntico. O setlist foi uma verdadeira viagem pela música brasileira e passeou por clássicos absolutos: a multidão cantou junto sucessos de Djavan, o romantismo de “Fulminante” (Mumuzinho) e “Não posso dizer adeus” (Raça Negra), além da energia contagiante do pagode atual do grupo Menos é Mais.
A cadência do samba raiz teve um espaço de honra na apresentação. Em um dos momentos mais arrepiantes e marcantes da noite, Messias assumiu o pandeiro na linha de frente e, acompanhado por mais três músicos da banda também tocando pandeiro, entregou uma performance percussiva de tirar o fôlego.
A reverência à velha guarda continuou com a execução do clássico “Iracema”, de Adoniran Barbosa, e o hino “Vou Festejar”, composto por Jorge Aragão, Dida e Neoci, e eternizado por Beth Carvalho. Para coroar o clima de celebração e superação, o cantor puxou no cavaquinho os acordes de “Clareou”, de Diogo Nogueira, refletindo exatamente o seu estado de espírito.
Gratidão e portas abertas para a cena local
O show também foi marcado por encontros e muita gratidão.
Emocionado, o cantor fez agradecimentos especiais aos músicos da sua banda atual e revelou ter vencido um enorme desafio logístico de última hora: conseguiu reunir e levar para o palco colegas que fizeram parte de toda a sua trajetória musical nos barzinhos e palcos da cidade.
Em uma pausa no ritmo frenético, Messias abriu o coração com a multidão. Ele falou sobre a grandiosidade de estar de volta ao palco principal e defendeu a pluralidade d’O Maior São João do Mundo.
Para o artista, os 33 dias de festa têm espaço para abraçar todos os ritmos sem jamais apagar o protagonismo do forró.
Mais do que uma vitória pessoal, Messias encarou a noite como uma conquista coletiva para todos os artistas independentes de Campina Grande. Com a sanfona e o pandeiro convivendo em harmonia no Parque do Povo, o cantor provou que o garoto batalhador da cena local estava mais do que pronto para fazer história.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


