A Justiça manteve neste domingo (23) a prisão do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante audiência de custódia realizada em
Brasília. O ex-presidente explicou a violação da tornozeleira eletrônica e
atribuiu o episódio a efeitos de medicamentos prescritos, segundo registro
feito pela juíza auxiliar responsável pela oitiva.
Na audiência, Bolsonaro declarou que “teve uma ‘certa
paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado
receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada
(Pregabalina e Sertralina); que tem o sono ‘picado’ e não dorme direito
resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem
curso de operação desse tipo de equipamento”. Segundo o depoimento, “por volta
de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso
da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia”.
Bolsonaro também afirmou que estava acompanhado da filha, do
irmão mais velho e de um assessor, mas que “nenhum deles viu a ação do depoente
com a tornozeleira”, relatando que iniciou a manipulação “tarde da noite” e
parou por volta de meia-noite. Ele disse ainda que imaginou haver uma escuta no
equipamento. Bolsonaro afirmou que estava com “alucinação” de que tinha alguma
escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa.
O ex-presidente informou que passou a tomar um dos
medicamentos “cerca de quatro dias antes dos fatos” e declarou não se lembrar
de episódio semelhante no passado. A Primeira Turma do Supremo vai analisar a
prisão em sessão virtual marcada para acontecer das 8h às 20h de amanhã (24).
Além de Moraes, fazem parte da Primeira Turma os ministros Cristiano Zanin,
Cármen Lúcia e Flávio Dino.

