Julho chegou, mas Campina Grande ainda vive o clima aconchegante do Maior São João do Mundo. Na quarta-feira (2), há quem tenha aproveitado esse período para sair um pouco do ambiente hospitalar e comemorar o aniversário de um jeito diferente. Foi oo caso Maria Laura, de 9 anos, que está internada há 53 dias no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, unidade da rede estadual. “Foi um presente antecipado. Ela faz aniversário dia 7 e estávamos passando por dias difíceis, mas hoje ela saiu um pouco do hospital, brincou, riu. Isso foi gratificante”, contou a mãe, Luciana das Neves, emocionada.
A iniciativa partiu da equipe de humanização da unidade hospitalar, que escolheu duas crianças com longos períodos de internação, mas em boas condições clínicas, para vivenciarem um momento junino na Vila Sítio São João. A ação contou com apoio médico e da equipe multidisciplinar. “A gente entende o quanto esse momento de lazer, mesmo em meio ao tratamento, impacta na saúde emocional dessas crianças”, explica Mairan Agra, responsável técnica do serviço social do hospital.
De acordo Zena Brasileiro, coordenadora de enfermagem da ala pediátrica, sair do hospital, com cuidado e segurança, faz também parte do tratamento: “Essas crianças estão há quase dois meses internadas, então levá-las para conhecer a Vila, sentir o São João, é uma forma de cuidar também. A alegria que sentem hoje ajuda até no quadro clínico.”.
Vivências culturais como estratégia terapêutica
A manhã da quarta-feira também foi marcada pela presença de aproximadamente 400 pessoas no evento junino promovido pelo Centro Especializado de Reabilitação (CER), que atende pessoas com deficiências física, auditiva, visual, intelectual e com Transtorno do Espectro Autista. Em parceria com a Vila Sítio São João, o espaço foi ocupado por usuários e profissionais em um café junino inclusivo e afetivo.
A diretora do CER, Alixandra Alves, a presença no evento representa muito mais do que um passeio. “Todos os anos, nossos usuários já perguntam se vai ter festa no Sítio São João. É um momento muito esperado. Essa casa sempre nos acolhe com carinho. Hoje estamos aqui com um café junino inclusivo, voltado a todos os nossos pacientes e familiares”, afirmou. Ela destacou que a procura pela inscrição superou as expectativas: “Tivemos muita gente inscrita, entre pacientes e acompanhantes foram cerca de 400 pessoas, fora os profissionais. Todos querem participar.”
A terapeuta ocupacional Agnes Magalhães reforça o valor terapêutico da ação. “Muitos dos nossos pacientes não têm acesso ao lazer por conta de barreiras sociais, financeiras e estruturais. Então, proporcionar esse contato com a cultura local, com a alegria das festas, é também uma forma de cuidado, além disso, a participação social é um passo fundamental na reabilitação. A gente rompe com o isolamento e mostra que todos têm direito de viver a cidade e sua cultura”.

