A responsabilidade de dar o pontapé inicial n’O Maior São João do Mundo exige peso, história e muito forró. E foi exatamente isso que o Brasas do Forró entregou na abertura dos festejos no Parque do Povo, em Campina Grande. Indo na contramão de grupos que utilizam os palcos juninos para reproduzir os hits virais do momento, a banda reafirmou o seu compromisso com a própria história e com os forrozeiros mais nostálgicos.
Durante 1 hora e 20 minutos de apresentação, o público presenciou um verdadeiro desfile de clássicos. A decisão de focar no “forronerão” raiz foi um movimento calculado e celebrado pelos integrantes, “Quando chega essa época, logicamente toca-se músicas atuais, mas principalmente no São João; você viu que o nosso show aqui teve 90% do repertório autoral do Brasas. A gente não cantou modinha; trouxemos o sucesso e a essência que o Didi deixou para a banda”, destacou o vocalista Rafael Bessa, ressaltando o respeito pelo legado do fundador do grupo.
O Sonho do Palco Principal e a maratona junina
Para Rafael, que está completando três anos nos vocais da banda, pisar no palco de Campina Grande carrega um sentimento de reverência. “Eu me sinto em casa. Abrir o São João de Campina Grande é o sonho de todas as bandas do Brasil. Estar todo ano participando é maravilhoso, ainda mais abrindo a festa”, celebrou.
O show na Rainha da Borborema marca o início de uma verdadeira maratona para os músicos. Segundo Bessa, a agenda junina reflete a força que a marca construiu ao longo das últimas três décadas e meia: são 33 shows apenas no mês de junho, totalizando 65 apresentações na soma com o mês de julho.
O peso de 36 anos de história e a nova geração
Com 36 anos de mercado musical, o Brasas do Forró vive um momento de estabilização da sua nova formação. No palco, o contraste harmônico é evidente: a presença imponente de Zé Airton, que acumula cerca de 26 anos de idas e vindas no grupo, soma-se ao frescor de Mannu Castro, recém-chegado à banda, e à firmeza de Rafael Bessa.
Para Mannu, assumir um dos microfones mais pesados do forró nordestino tem sido uma experiência transformadora. “Para mim, foi uma realização muito grande, porque o Brasas tem uma história linda. São 36 anos de estrada, levando música boa. É uma banda que é inspiração para muitas outras também”, avaliou a cantora.
A jovem cantora também fez questão de enaltecer o ambiente que encontrou nos bastidores. Dividir o protagonismo com figuras históricas poderia ser intimidador, mas ela garante que a transição foi natural. “Estar aqui entre eles — o Zé, que é o mais antigo, e o Rafael, que já tem um tempo — é uma realização. Tive uma acolhida como se já estivesse há bastante tempo com eles”, completou.
Ao abrir mão das “modinhas” e entregar um show focado em sua própria trajetória, o Brasas do Forró não apenas celebrou os seus 36 anos de existência, mas mandou um recado claro ao mercado: no epicentro do forró, a tradição e a essência ainda são os maiores sucessos que uma banda pode oferecer ao público.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


