As luzes do Parque do Povo se apagaram na noite desta sexta-feira (5), mas o que se viu a seguir não foi a escuridão, e sim um mergulho profundo nas raízes da cultura nordestina. Para coroar sua maratona de shows no período junino, Eric Land entregou a Campina Grande um espetáculo onde o piseiro contemporâneo pediu a bênção à tradição.
A abertura do show foi cinematográfica. O som potente e nostálgico de um aboio ecoou pelo Quartel General do Forró, sendo rapidamente atropelado pelo ritmo acelerado do ganzá e do pandeiro. Em uma cadência frenética que remetia à clássica embolada da dupla Caju e Castanha, o palco preparou o terreno para um encontro virtual histórico: no telão, a imagem imponente do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, surgiu em uma projeção simbólica, convocando Eric Land com um pedido direto e irrecusável: cantar forró.
Atendendo ao chamado de Gonzagão, o cantor cearense materializou-se no palco sob os gritos ensurdecedores do público. O delírio da multidão atingiu o ápice logo nos primeiros minutos, quando o artista puxou os acordes iniciais do seu maior sucesso, entoando a plenos pulmões o refrão de “Chorei na vaquejada, eu chorei”. Sem dar tempo para o público respirar, a sequência de hits gravados em parceria com a dupla Iguinho e Lulinha invadiu os alto-falantes, ditando o tom eletrizante da noite.
Frio na barriga e o peso de Campina Grande
A energia implacável mostrada no palco contrasta com a humildade de quem reconhece o peso do chão que está pisando. Em entrevista coletiva concedida antes de agitar a multidão, Eric Land não escondeu o nervosismo, mesmo já sendo um dos nomes mais consolidados do cenário atual.
”Não posso dizer que todos os shows da estrada são normais, porque cada um traz uma experiência diferente. Mas Campina Grande é uma unanimidade. Qualquer artista que seja — tenha ele 50, 30 ou 20 anos de carreira — sente um frio na barriga e se programa de um jeito especial para pisar nesse palco”, confessou o cantor.
Para estar à altura d’O Maior São João do Mundo, a imersão visual foi meticulosa. O cearense subiu ao palco vestindo uma peça exclusiva, pensada para homenagear a festividade. “Esse look levou mais de 20 dias para ser confeccionado e foi feito totalmente à mão por bordadeiras junto com o estilista. Fizemos questão de buscar uma imersão profunda dentro da tradição do São João”, revelou.
Ao fundir o respeito por Luiz Gonzaga com as batidas pesadas que dominam as plataformas digitais da nova geração, Eric Land provou na noite desta sexta-feira que o seu piseiro tem raízes, tem história e, acima de tudo, tem o aval do público que lotou O Maior São João do Mundo.
Texto: Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


