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“O Nordeste é foda”: Tarcísio do Acordeon exalta o Parque do Povo, rebate preconceito e revela o peso de cantar com o coração

Rede Primeiro Minuto8 de junho de 2026
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Foto: Reynaldo Felix/Ag.Fpontes/ Divulgação

O cansaço das longas jornadas de estrada e a rotina exaustiva de shows parecem evaporar assim que os primeiros acordes da sanfona de Tarcísio do Acordeon ecoam no palco principal d’O Maior São João do Mundo. Para o artista, que hoje carrega o status de um dos maiores fenômenos da música nacional, pisar no Parque do Povo vai muito além de cumprir agenda: é uma validação de identidade e a realização de um sonho contínuo.

Nos bastidores da festa em Campina Grande, o cantor não escondeu o impacto que a cidade tem sobre a sua performance. A dimensão do evento traz à tona a responsabilidade de representar uma cultura inteira, “A energia daqui recompensa. A gente chega cansado da estrada, porque o batente é pesado. Mas quando você chega aqui nesse palco, o cansaço some. Bate aquele nervoso, aquela ansiedade de sempre. Quando dizem ‘É Campina Grande!’, você vê a multidão e sente o peso da responsabilidade. Campina Grande sempre supera todas as expectativas. É preciso respeitar a Paraíba e respeitar o forró!”, exaltou o sanfoneiro.

A consagração de Tarcísio e de outros nomes da nova geração representa um marco na indústria fonográfica brasileira. Ao unir a tradição da sanfona com a batida pesada da vaquejada e do piseiro, esses artistas furaram a bolha regional. No entanto, o caminho até o topo do país exigiu o enfrentamento direto de estigmas históricos.

Em um desabafo franco e carregado de orgulho, Tarcísio abordou a resistência que a música nordestina sempre enfrentou no eixo Sul-Sudeste, destacando a importância de não recuar diante das críticas, “Existia um pouquinho de resistência, aquele ‘rancinho’, um preconceito, sabe? Mas a gente vai quebrando essas barreiras, tentando deixar claro que o Nordeste existe e tem força”, afirmou o cantor, antes de arrematar com uma frase que resume o sentimento de toda uma geração de músicos: “Desculpe a palavra, mas o Nordeste é foda! E ninguém pode deixar de respeitar a nossa cultura.”

A verdade e o coração na ponta dos dedos

Mas o que faz multidões cantarem a plenos pulmões e, muitas vezes, com os olhos fechados nos shows de Tarcísio? Para o artista, a resposta não está em fórmulas de mercado, mas na sinceridade da entrega.

Ao refletir sobre o seu processo de composição e interpretação, ele apontou que a identificação do fã acontece quando a música funciona como um espelho da realidade vivida pelas pessoas comuns, “O segredo é ser verdadeiro e conhecer a sua essência. Eu gosto de cantar a realidade, aquilo que o povo vive”, explicou. “A música fica quando ela toca no seu coração. Se ela toca o coração do povo, ela fica. Esse é o segredo”, disse o cantor.

Reconhecendo-se como um fruto direto do legado plantado por Luiz Gonzaga, Tarcísio do Acordeon provou em Campina Grande que é perfeitamente possível arrastar multidões e dominar as paradas de sucesso sem precisar abrir mão da própria essência. No compasso da sua sanfona, a tradição e o sentimento seguem ditando as regras do Maior São João do Mundo.

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