Se ainda restava alguma dúvida de que o brega pernambucano conquistou definitivamente o coração dos forrozeiros, a noite desta edição d’O Maior São João do Mundo tratou de dissipá-la.
Em uma apresentação que misturou respeito às tradições juninas, imprevistos superados e muita emoção, Raphaela Santos cravou o seu nome na história do Parque do Povo, arrastando uma multidão que cantou cada verso de seu repertório a plenos pulmões.
O respeito à tradição: Quadrilhas no palco principal
Ciente do peso do palco que estava pisando, Raphaela preparou uma entrada que abraçou a cultura local. A abertura do espetáculo não foi ditada imediatamente pelas batidas do brega, mas sim pelo colorido e pela coreografia marcante de uma autêntica quadrilha junina.
A escolha cenográfica serviu para dar o tom da noite: uma fusão de ritmos onde o Nordeste celebra a si mesmo. Ao abrir espaço para os quadrilheiros, a cantora demonstrou que a inserção do seu gênero romântico na festa não apaga o forró, mas soma-se à pluralidade da cultura nordestina. Como ela mesma frisou nos bastidores, “o nordestino gosta dessa mistura, e a gente não pode nunca esquecer de onde tudo começou”.
O momento que poderia ser o pesadelo de qualquer artista ao vivo transformou-se no ápice da consagração da noite. Durante o show, o palco do Parque do Povo sofreu uma falha técnica repentina, interrompendo o som dos instrumentos e o microfone da cantora.
O que se viu a seguir foi uma cena arrepiante e histórica: longe de esfriar a energia do show, a multidão assumiu o controle. Sem o apoio das caixas de som, o público continuou cantando a plenos pulmões, transformando a arena em um gigantesco coral a cappella. Emocionada, Raphaela apenas regeu a plateia até que a técnica fosse restabelecida, provando que as suas letras já estão tatuadas na memória afetiva dos paraibanos.
A sintonia perfeita entre a cantora e o público em Campina Grande não parou neste momento do show ele é o reflexo de uma relação construída com muita gratidão. Durante a apresentação, Raphaela fez questão de destacar o carinho visceral que recebe do estado, lembrando que o solo paraibano foi o grande divisor de águas de sua expansão nacional, “A Paraíba foi o primeiro estado a me bater no coração depois de Pernambuco. Me abraçaram de uma forma maravilhosa”, declarou a artista.
A pernambucana ainda aproveitou o momento para lembrar da gravação do seu gigantesco DVD no início do ano em João Pessoa — que reuniu mais de 300 mil pessoas —, a cantora ressaltou que subir ao palco de Campina Grande com a arena lotada era a consolidação desse sonho.
Entre quadrilhas, imprevistos superados pela voz do povo e muito romantismo, Raphaela Santos deixou Campina Grande com uma certeza: o brega chegou ao Maior São João do Mundo para ficar.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


