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Em estreia no Parque do Povo, Marisa Monte entrega aula de Nordeste e hipnotiza Campina Grande

Rede Primeiro Minuto13 de junho de 2026
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Foto: Natasha Leoni e Thallys Andrade/Arte Produções

A ansiedade que pairou por horas sobre o Parque do Povo foi justificada logo no primeiro acorde. Na noite desta sexta-feira (12), O Maior São João do Mundo presenciou não apenas um show, mas um verdadeiro rito cultural. Em sua aguardada estreia no Palco Principal, Marisa Monte transformou a arena em um santuário da Música Popular Brasileira, entregando uma apresentação que transitou entre o romantismo absoluto e uma profunda e reverente aula sobre a música nordestina.

A noite teve início com a suavidade de “Maria de Verdade”, abrindo caminho para que a cantora abraçasse a multidão. Visivelmente emocionada com a dimensão do evento, Marisa celebrou a coincidência da data. “Tô muito feliz de estar com vocês aqui hoje, primeira vez no Maior São João do Mundo. Além de ser o maior São João do mundo, é Dia dos Namorados. Aproveitem para amar e beijar alguém. Espero que tenham uma noite linda e inspirados”, declarou, dando a bênção para os casais apaixonados que lotavam a praça.

O repertório seguiu com “Vilarejo”, momento em que o público devolveu a entrega da artista com um imenso e uníssono coro de “Marisa, eu te amo”. Banhada por essa declaração de afeto, ela emendou os primeiros acordes de “Carnavália” e “Ainda Bem”, faixas que ganharam um peso emocional ainda maior no clima do Dia dos Namorados, transformando o Parque do Povo em um imenso salão de dança e romance.

Uma aula de Nordeste

Consciente do solo sagrado que pisava, Marisa preparou um bloco especial e exclusivo em homenagem à Paraíba e ao Nordeste. A sequência arrebatadora começou com “A Lua e Eu”, seguida pela clássica “Sou o Estopim”, em uma justa homenagem à eterna Rainha do Xaxado, Marinês. Mostrando estar atenta também à nova geração, a cantora surpreendeu ao interpretar “Se for amor”, sucesso de João Gomes, e fechou o momento com a irreverência de “Severina Xique Xique”, saudando a genialidade do paraibano Genival Lacerda.

A reverência à música regional não parou por aí. Na ausência do sanfoneiro Waldonys, que cumpria agenda de turnê pelo Nordeste, Marisa convidou ao palco Luciano Moreno, filho do instrumentista, para acompanhá-la. O momento serviu de ponte para uma das homenagens mais tocantes da noite: a lembrança ao gigante Antônio Barros. O compositor paraibano, falecido em abril de 2025, que assinou mais de 700 canções ao lado da esposa Cecéu, foi exaltado pela cantora em um bloco que celebrou a mais pura raiz da música nordestina.

Mashup histórico e os hinos dos Tribalistas

O apogeu da noite foi marcado por uma genialidade musical que apenas artistas do calibre de Marisa conseguem conduzir. Enquanto a banda tocava o arranjo instrumental do hino “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, o público entoava a plenos pulmões a letra do Rei do Baião, ao mesmo tempo em que a cantora sobrepunha, com maestria, os versos do “Hino a São José”.

O clima de nostalgia e paixão voltou a reinar com os sucessos absolutos dos Tribalistas. Ao som de “Velha Infância”, a arena foi tomada por casais se beijando e registrando o momento em fotos e vídeos, numa catarse coletiva que seguiu com “Xote das Meninas” e “Amor I Love You”. Ao anunciar “Já Sei Namorar”, ela brincou com a sintonia da data: “Dia dos Namorados, essa não pode faltar!”.
Antes de se despedir com um “Campina Grande, feliz Dia dos Namorados para todos vocês!”, Marisa Monte reservou o momento mais poético da madrugada para o final.

Já sem os músicos em cena, a cantora permaneceu sozinha no Palco Principal e iniciou, à capela, os versos de “Bem Que Se Quis”. A multidão, hipnotizada, fez as vezes de um imenso coral. Marisa foi recuando lentamente, sumindo do palco de forma sutil e etérea, enquanto o público continuava a cantar a canção a plenos pulmões. A imagem exata que ficou foi a de um rito sagrado — como um padre que encerra uma missa profana a céu aberto, deixando como legado o eco inesquecível de uma noite que Campina Grande jamais esquecerá.

Texto: Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto

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