A noite desta quarta-feira no Parque do Povo foi marcada por um espetáculo visual e uma verdadeira catarse emocional. Em sua aguardada estreia no palco principal d’O Maior São João do Mundo, Michele Andrade não apenas entregou a energia inesgotável que a consagrou, mas transformou o Parque do Povo em um gigantesco “Sertão das Maravilhas”, provando que a estética da cultura nordestina pode, e deve, ser do tamanho dos seus maiores sonhos.
O tom da apresentação foi ditado logo nos primeiros instantes. O espetáculo teve início com a voz de um rapaz narrando a trajetória de resiliência e ascensão da cantora. No palco, a fusão entre o universo lúdico do clássico Alice no País das Maravilhas e a identidade pujante do Nordeste prendeu imediatamente a atenção do público.
O grande ápice da cenografia ganhou forma com a presença de dois cactos imensos, ladeando uma cuscuzeira gigante, de impressionantes cinco metros de altura. Foi exatamente de dentro dessa estrutura monumental que Michele Andrade surgiu para dar início ao show, arrancando gritos ensurdecedores da multidão. O investimento ousado no cenário foi uma escolha conceitual muito forte da artista, como ela mesma fez questão de ressaltar horas antes, nos bastidores: “A gente trouxe a cenografia para cá, é o Sertão das Maravilhas. A gente quis retratar o sertão da forma que ele merece. Que é colorido, que é feliz, e não do jeito que é mostrado sempre através da TV, apenas com dificuldade. Nós somos um povo feliz, que movimenta a economia e sustenta o país na cultura”, disse a pernambucana.
A consagração após a espera e a gratidão ao público
Entre coreografias intensas e sucessos que estavam na ponta da língua da multidão, Michele fez pausas cirúrgicas para reverenciar os fãs que permaneceram no Parque do Povo até o fim para prestigiar a sua apresentação. Visivelmente emocionada, a cantora aproveitou cada oportunidade no microfone para expressar sua gratidão, não apenas ao público campinense, mas a todos os profissionais e familiares que a ajudaram a construir o caminho até ali.
Pisar como atração principal no “Quartel General do Forró” representava uma vitória pessoal de uma década. Durante a coletiva de imprensa no camarim, ela havia desabafado de peito aberto sobre a longa jornada até a noite de hoje, “Eu confesso que estou nervosa. Todos os anos, quando eu via o line-up aqui de Campina Grande, eu ficava triste porque não estava nele. Mas entendi que tudo é no tempo certo. Eu acho que a gente tem que estar preparado e ter o público esperando a gente. Esse ano eu sinto que estou merecendo, e estar aqui é uma grande honra”, disse a cantora bastante emocionada.
A Rainha da Farra nos braços de Campina Grande
Com mais de 1h30 de duração, o show foi uma verdadeira explosão de vitalidade rítmica. O Parque do Povo pulou e cantou do primeiro ao último acorde, enquanto Michele provava na prática o porquê de carregar o merecido título de “Rainha da Farra”.
Apesar de toda a superprodução, o momento mais marcante e indescritível da madrugada aconteceu quando as barreiras entre o palco e a plateia foram literalmente derrubadas. A cantora decidiu descer da grande estrutura e cantar no meio do público. A atitude, que já é uma marca registrada de seus shows pelo país, ganhou ares de consagração definitiva sob as bandeirinhas do Parque do Povo.
A menina de Pernambuco que um dia sonhou em ter seu nome na grade de Campina Grande deixou o palco com a certeza de que a noite de quarta-feira não foi apenas um show de forró, mas a coroação irretocável de uma rainha no seu próprio e grandioso Sertão das Maravilhas.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


