Radiante, serena e carregando com orgulho o título de uma das maiores multiartistas do país, Lucy Alves atendeu a imprensa nos movimentados bastidores do Parque do Povo com a energia de quem acabou de realizar um grande feito. Momentos depois de subir ao palco na noite de véspera de São João, a cantora demonstrou estar vivendo o ápice de sua maturidade profissional.
O sucesso da cantora de 40 anos cruzou as fronteiras da música e dominou o horário nobre da televisão brasileira e do streaming. No entanto, ela faz questão de creditar todo esse alcance à sua rígida e rica formação musical construída na Paraíba, “A sorte de ter essa base musical daqui me trouxe muita riqueza, me trouxe um repertório grande pra quando as oportunidades apareceram e hoje eu poder ser atriz. […] Eu já cheguei lá com uma base rítmica e melódica muito boa. Eu devo muito à minha formação musical, que foi quem me abriu as portas, por exemplo, pra ir pro audiovisual”, disse a cantora e multi-instrumentista.
Conexão com o festival e o público
Apresentar-se no dia 23 de junho carrega um simbolismo gigantesco em Campina Grande, e Lucy não escondeu o deslumbramento de assumir o posto de atração principal em uma data tão nobre. Durante a entrevista, ela detalhou o que sentia ao vislumbrar o Parque do Povo lotado à sua espera e a honra de dividir os holofotes com ícones do forró.
“Eu acho que é um sonho pra qualquer cantor ser titular dessa noite que é emblemática. É a minha primeira vez nessa noite aqui, e estar na mesma noite que ela [Elba Ramalho] é tipo uau, imagina!”, celebrou a artista que reforçou ainda que o Parque do Povo é, hoje, o verdadeiro “farol do Brasil”, sendo uma festa de profunda tradição que, ao mesmo tempo, dá oportunidades indispensáveis para as novidades do cenário musical.
Mulheres na sanfona e a força do legado
Inspirada por gigantes como Marinês, Sivuca, Dominguinhos e Luiz Gonzaga, Lucy também encontrou dentro de casa, através do pai, o empurrão necessário para abraçar o acordeon. Hoje, ela celebra o fato de ter se tornado o espelho que faltava para a nova geração de mulheres instrumentistas. Lucy cravou que seu maior projeto futuro e legado de vida continua sendo abrir caminhos.
“Eu sou a primeira sanfoneira da família e acho que isso foi muito legal, a oportunidade de estar na TV e de outras meninas poderem ver e enxergar assim: ‘puxa, que massa’. Sou muito orgulhosa de ter seguido um caminho inspirado por Marinês, e hoje também servir de inspiração para outras sanfoneiras. Meu maior troféu de carreira é poder abraçar e trazer mais gente comigo.”
A artista ainda rebateu a ideia de que o forró tradicional estaria perdendo espaço ou sendo considerado ultrapassado pela juventude. Muito pelo contrário, Lucy decreta que o ritmo vive um momento de efervescência nas plataformas digitais e nos ouvidos da nova geração, “Sinto uma nova geração procurando mais pelo forró. A gente entendendo que o Brasil é tão grande, não dá pra centralizar. […] O streaming possibilita a tantos artistas independentes chegarem a tanta gente. Tem uma geração sedenta por esse forró, a gente acha que é uma força ultrapassada, mas acho que não, tá muito vivo!”, conclui a artista.
Extremamente madura, segura de sua identidade artística e profundamente simpática no trato com a imprensa. Ao transitar com maestria entre o set de filmagens das novelas nacionais e os palcos dos maiores festivais do Nordeste, ela afasta qualquer estigma de que a música regional perdeu sua força. Pelo contrário, a postura da paraibana comprova que o autêntico forró, quando feito com amor e sem medo de dialogar com o presente, encontra sempre uma geração de braços abertos.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto



