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De “Garoto Atrevido” a guardião da tradição: Waldonys celebra a honra de tocar no Dia de São João e a passagem de bastão para o filho

Rede Primeiro Minuto25 de junho de 2026
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Foto: Natasha Leoni e Thallys Andrade / Arte Produções

Para um artista forjado na mais pura “escola gonzaguiana”, subir ao Palco Principal d’O Maior São João do Mundo na data oficial que celebra o santo padroeiro não é apenas um show, é uma consagração. Em sua terceira apresentação consecutiva na cobiçada noite do Dia de São João, o sanfoneiro, cantor e piloto Waldonys faz um show com a bagagem de quem vive e respira a história da música nordestina.

​Com o sorriso largo e o fôlego de quem enfrenta uma intensa maratona de shows, o artista compartilhou histórias de bastidores, relembrou suas raízes com o Rei do Baião e se emocionou ao falar do legado que já começa a ser perpetuado pela nova geração de sua própria família.

O encontro com Gonzagão e a emoção de pai

​A relação de Waldonys com o Parque do Povo é histórica. Ele fez questão de relembrar que pisou no palco de Campina Grande pela primeira vez ainda criança, trazido pelas mãos do próprio Luiz Gonzaga, que o apelidou carinhosamente de “Garoto Atrevido”.

​O peso dessa herança voltou a bater forte no peito de Waldonys na atual edição do evento, mas de uma forma diferente. Durante o show da cantora Marisa Monte no Parque do Povo, a estrela da MPB relembrou a vez em que conheceu um jovem Waldonys tocando sanfona na cozinha da casa de Gonzagão em 1992, por indicação de Gilberto Gil.

A grande surpresa revelada por Marisa no palco, no entanto, foi apresentar ao público o sanfoneiro que a acompanhava naquela noite: Luciano Moreno, o filho mais novo de Waldonys.

​”Eu fico escandalizado. Meu Deus, quanta bênção recebida! […] Falei pra ele depois do show: ‘Você tá pegando estrada asfaltada, não pegou a buraqueira que eu peguei. Valorize cada degrau. Você subiu pro palco d’O Maior São João do Mundo no elevador com a Marisa Monte, eu fui de escadinha com o Gonzagão’.”

Apesar da emoção pela realização do seu filho, para Waldonys chegar à noite oficial de São João é um troféu que o piloto exibe com profunda gratidão. Para ele, ocupar o espaço principal da festa na data que é o ápice do calendário nordestino é algo difícil de traduzir em palavras, ​”Eu fico muito honrado. Imagine você, um artista que vem dessa escola gonzaguiana, ser discípulo do Rei do Baião e, num Dia de São João, estar no palco de Campina Grande. É uma representatividade muito grande. Transborda gratidão”, revelou o cantor bastante emocionado.

​A balança do forró: inovação com identidade

Questionado sobre a febre dos novos ritmos e como um defensor da sanfona lida com a modernização da festa, Waldonys demonstrou maturidade. Para ele, o segredo é o equilíbrio. Em seu repertório, clássicos da MPB e do forró dividem espaço até mesmo com os sucessos do piseiro de João Gomes mas com uma condição inegociável: a assinatura do seu acordeon.

​”Aí é onde mora o coringa do baralho: saber dosar. Eu levo pro repertório desde ‘Sonho de Ícaro’ até João Gomes, mas sem esquecer a essência. A música do João Gomes vem na minha pegada, eu arrumo ela do meu jeito. Não levo como piseiro; nada contra, mas não é a minha onda.”

​Para o “Garoto Atrevido” que virou mestre, o forró pode, e deve, dialogar com o novo, desde que a verdade do artista permaneça intocável, “O artista que se propõe a defender o forró tem essa responsabilidade grande de inovar, sem perder a tradição. Tudo o que vai pro palco tem que ter alguma coisa a ver comigo. Esse é o grande lance da arte”, cravou, antes de assumir sua sanfona e embalar mais uma noite memorável no Quartel General do Forró.

Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto

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