Se a tarde de domingo já havia sido intensa e histórica com a comemoração explosiva nas arquibancadas do Amigão, a noite reservou a Japãozin o momento de sua coroação definitiva n’O Maior São João do Mundo. O “Brabo dos Paredões” subiu ao palco principal do Parque do Povo não apenas para comandar a festa, mas para entregar uma verdadeira declaração de amor às raízes culturais de Campina Grande.
A abertura do show quebrou as expectativas de quem aguardava as batidas eletrônicas imediatas do piseiro. Em um gesto de profundo respeito à história da cidade, Japãozin iniciou sua apresentação com uma emocionante homenagem a Ronaldo Cunha Lima, o saudoso poeta e ex-prefeito que foi um dos grandes idealizadores do projeto original do Parque do Povo.
A lembrança do homem que ajudou a dar forma e dimensão ao “Quartel General do Forró” serviu como uma ponte conceitual perfeita para o que viria a seguir. Sem deixar a emoção do público esfriar, o cantor paraibano engatou uma interpretação sentida de “A Morte do Vaqueiro”, obra imortal do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Foi um instante de catarse coletiva no pátio: o menino forjado nas ruas da comunidade da Cachoeira, agora dono dos holofotes, provando que para inovar na música nordestina é preciso, antes de tudo, pedir a bênção aos pilares do passado.
Uma viagem sonora: Do Funk ao Piseiro
Após reverenciar a tradição e o luto poético da obra de Gonzaga, a chave do espetáculo virou de forma magistral. A melancolia abriu espaço para os graves pesados e o Parque do Povo se transformou em um verdadeiro caldeirão.
O repertório seguiu como uma viagem frenética pela identidade musical de Japãozin, refletindo toda a versatilidade que o consagrou. O cantor desfilou os maiores sucessos de sua carreira que dominam as plataformas de streaming e surpreendeu a multidão ao transformar a arena em um autêntico baile, resgatando clássicos do funk dos anos 2000. A costura rítmica entre a nostalgia do batidão carioca e a energia acelerada do forró eletrônico e do piseiro mais atual manteve as milhares de pessoas aquecidas e pulando até o último acorde.
Mais uma vez, o artista mostrou ter total domínio do palco. A apresentação marcou a noite provando que é perfeitamente possível honrar a história sagrada do São João e, ao mesmo tempo, entregar o som vibrante que dita o ritmo da nova geração.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto



