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Uma aula de cultura nordestina: Chambinho do Acordeon consagra o Dia de São Pedro e une sanfona, pandeiro e ecletismo em noite épica no Parque do Povo

Rede Primeiro Minuto30 de junho de 2026
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Foto: Natasha Leoni/Arte Produções

Se a missão de Chambinho do Acordeon era fechar a sua maratona junina com chave de ouro, o palco principal do Parque do Povo foi o cenário perfeito. O artista revelou que tocar no São João de Campina Grande acompanhado de sua equipe é a realização de um sonho que ele nutre desde os seis anos de idade.

Subindo ao palco pontualmente às 22h13 desta segunda-feira (29), o artista entregou uma apresentação impecável de quase duas horas de duração, encerrando o seu show às 23h51. Radiante, o sanfoneiro celebrou a impressionante marca de quase 30 shows realizados pelo Nordeste neste período e fez questão de declarar, logo de cara, a sua alegria e emoção em voltar a cantar na Rainha da Borborema.

A responsabilidade de representar Luiz Gonzaga n’O Maior São João do Mundo é vista com imensa humildade por Chambinho do Acordeon. Nos bastidores de sua apresentação no Dia de São Pedro, o artista destacou que todo sanfoneiro e cantor nordestino carrega um pouco do Rei do Baião em seu trabalho. Contudo, ele reconhece que o fato de ter interpretado Gonzaga nas telonas do cinema cria uma proximidade única com o público e com o legado do mestre.

Para o repertório do show desta noite, o sanfoneiro garantiu que não faltariam os ritmos tradicionais, afirmando que “não pode faltar xote, não pode faltar xaxado, não pode faltar baião” e destacando a obrigatoriedade de se cantar o clássico “Olha pro Céu”. A apresentação no Parque do Povo encerra a sua agenda no mês de junho, um feito que o cantor considera uma honra e um momento altamente simbólico para a sua trajetória.

A escola “Jacksoniana” e a dança do Xaxado

Apresentando-se como um verdadeiro guardião das nossas raízes, Chambinho surpreendeu ao introduzir o pandeiro na linha de frente do palco. Ao juntar o som do triângulo, da zabumba, da sanfona e do pandeiro, ele recriou a essência rítmica de Jackson do Pandeiro em seu estado mais puro.

O clima de espetáculo raiz tomou conta do Parque do Povo quando ele chamou seu zabumbeiro, sua triangueira e seu pandeirista para a boca do palco, e os quatro caíram no passo, dançando o autêntico xaxado diante da multidão. O desfile de reverências aos mestres continuou forte com interpretações arrepiantes de “Feira de Mangaio”, do mestre Sivuca, além de sucessos marcantes dos Três do Nordeste e de Alceu Valença.

Como alguém que teve a honra de interpretar Luiz Gonzaga nos cinemas, Chambinho tem propriedade para falar de ídolos. Em um dos momentos mais marcantes da noite, ele cravou: “O Luiz Gonzaga da minha geração é Flávio José”. Em seguida, prestou uma belíssima homenagem ao mestre paraibano cantando o hino “A Natureza das Coisas”, acompanhado de mais duas músicas do repertório de Flávio, levantando o público.

O show também foi marcado por momentos de profundo lirismo. Ele cantou o clássico “A Morte de um Vaqueiro”, de Gonzagão, e em um gesto cívico que pegou a todos de surpresa, executou o Hino Nacional do Brasil na sanfona, emendando magistralmente com a poesia de “Ai Que Saudade D’Ocê “.

A versatilidade de Chambinho: Do Reggae ao Pagode

Além de provar que domina a tradição, o artista demonstrou que o forró tem espaço para tudo quando a roupagem é bem feita. O pátio do Parque do Povo foi à loucura quando Chambinho trouxe clássicos de outros gêneros para o compasso da sanfona. Ele entregou uma versão forrozeira de “Malandrinha”, hino do reggae brasileiro na voz de Edson Gomes, e ainda se aventurou no pagode atual, cantando “P do Pecado”, do grupo Menos é Mais, adaptando a batida com maestria para o estilo inconfundível de “Chambinho do Acordeon”.

Honrando a promessa que fez nos bastidores, o fim da apresentação foi o apogeu da festa de São Pedro. Chambinho finalizou o show cantando “Olha pro Céu, Meu Amor”, o maior hino junino do país, e em um gesto de ternura e esperança na renovação da nossa cultura, dedicou a música e o encerramento da noite às crianças presentes.

Foi um encerramento de mês perfeito para um artista que transita entre o passado e o futuro do forró sem deixar a coroa de couro cair da cabeça.

Rafael Costa /Rede Primeiro Minuto

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