Subir no palco principal d’O Maior São João do Mundo e arrastar multidões pelo país tem sido uma experiência quase surreal para Claudio Ney e Juliana. Minutos antes de comandar a noite desta quarta-feira (1º) no Parque do Povo, a dupla abriu o coração e revelou os bastidores do fenômeno que virou a vida do casal e da “banda que toca forró” de ponta-cabeça.
Com mais de dez anos de estrada e resistindo às pressões do mercado, eles provaram que manter a própria essência vale a pena. “Nós fomos muito criticados no passado. Diziam que nosso estilo era antigo, que a gente tinha que se atualizar e seguir o que o fulano ou sicrano estavam fazendo. Mas a gente bateu o pé, manteve a pancada do nosso forró e eu sempre disse: ‘um dia vai dar certo’. E deu”, comemorou Cláudio Ney.
O estopim de “Marra de Bandido”
O grande ponto de virada da carreira aconteceu no mês de junho, através de um vídeo gravado de forma despretensiosa. A dupla precisava atualizar as redes sociais e decidiu postar um trecho cantando a faixa recém-adicionada ao repertório, com Claudio Ney fazendo sua tradicional dancinha do “ombrinho”.
“Essa dancinha eu já fazia há muito tempo nos shows. O povo ficava rindo, e a Juliana ficava no meu pé dizendo para eu fazer pros vídeos do Instagram. Eu tinha vergonha, não queria fazer”, confessou o cantor, aos risos. A esposa e parceira de palco foi quem insistiu na gravação: “Eu via que os jogadores de futebol e a turma mais nova adoravam essas dancinhas no TikTok. Eu fiquei em cima dele até ele gravar.”
A intuição de Juliana não poderia estar mais certa. Ela subiu o vídeo e, no dia seguinte, a surpresa bateu à porta. “Fui olhar o celular e o vídeo já tinha 15 milhões de visualizações no Instagram. O Léo Santana compartilhou, o Zé Felipe compartilhou. Começou uma chuva de artistas divulgando o nosso trabalho.”
O choro de alívio
O momento em que a dupla realmente compreendeu o tamanho do sucesso foi marcado por muita emoção. Claudio Ney, que ainda era o responsável por fechar a agenda de shows da banda, entrou em colapso diante da enxurrada de pedidos, “Eu olhei pro celular dele e não parava de chegar mensagem. Era prefeitura, era contratante, todo mundo querendo a banda. Ele soltou o celular no sofá, olhou pra mim com os olhos cheios de água e disse: ‘Eu não tô mais conseguindo responder, não sei o que eu faço'”, relembrou Juliana.
“Foi nesse momento que a gente se abraçou, chorou muito e agradeceu a Deus. A ficha caiu: o nosso momento tinha chegado.” Hoje, com a agenda lotada e o sucesso consolidado, a dupla celebra a conquista das crianças, dos jovens e dos mais velhos, levando a sanfona e o gingado do Ceará para todo o Brasil.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


