Quem esteve no Quartel General do Forró testemunhou um daqueles momentos que ficam gravados na história dos grandes festivais nacionais. Em uma noite de consagração absoluta, o Filho do Piseiro entregou um espetáculo que quebrou todas as expectativas, misturando a batida frenética do piseiro com o preciosismo cênico digno de uma final de Super Bowl.
A entrada triunfal: O Rei do Pop encontra o Rei do Piseiro
Em uma clara e assumida homenagem à lendária apresentação de Michael Jackson no Super Bowl XXVII, em 1993, o artista manauara parou Campina Grande logo nos primeiros segundos. O cantor parecia surgir magicamente entre os prédios próximos ao palco principal, criando uma ilusão de ótica que deixou a multidão em choque. Em seguida, ele saltou em direção ao palco central. Para delírio completo do público, em vez de começar a cantar imediatamente, ele permaneceu completamente imóvel e em silêncio por alguns segundos, sustentando a histeria coletiva do Parque do Povo lotado antes de dar o primeiro comando na sanfona e no teclado.
O figurino foi um espetáculo à parte: Everton subiu ao palco vestindo uma camisa com a bandeira do Brasil e da Paraíba, em outro momento o artistas usou roupas pretas com detalhes luminosos e reluzentes, uma releitura direta dos icônicos coletes usados por Michael Jackson. No entanto, a roupagem pop logo deu espaço à raiz puramente rústica e dançante.
Em entrevista exclusiva realizada para a equipe do Sua Música, logo após a apresentação, o clima nos bastidores era de puro êxtase e dever cumprido. A ousadia da abertura surpreendeu até mesmo quem estava envolvido na engrenagem do show, “Isso aí eu também fui pego de surpresa. Eu sabia que a gente estava preparando um show especial, mas essa abertura foi um negócio que eu só descobri hoje”, revelou o cantor.
“Quando eu descobri, cara… falei: ‘vai entrar para a história’. Foi lindo, foi maravilhoso. Temos a melhor equipe do Brasil, feita com garra. Tem que respeitar esses meninos preparados e de coração bom”, revelou o cantor ainda eufórico pela apresentação.
Para o artista amazonense, que até pouco tempo atrás cantava na porta do comércio do tio em Manaus, olhar para a imensidão do Parque do Povo na noite desta quarta-feira (1º) parecia algo inacreditável.
O ultimato do tio e as raízes nordestinas
A brincadeira de criança virou profissão em 2019, quando seu tio lhe deu um ultimato que mudaria a sua vida. Ao presenteá-lo com um violão e uma caixa de som para tocar na calçada do açougue, o familiar deu a Everton o prazo de um mês para aprender a tocar e montar um repertório, “Eu não sabia nada. Peguei o violão, foquei, estudei de verdade e em um mês eu aprendi a tocar 52 músicas para não deixar a oportunidade passar”, relembrou o artista, demonstrando a persistência que o levou ao topo das paradas.
Embora carregue a bandeira de Manaus com muito orgulho para o Brasil inteiro, o Filho do Piseiro confessou que se sente em casa na Paraíba. O motivo? O sangue nordestino corre em suas veias. “Minhas origens são nordestinas. Meus pais são do Ceará e do Maranhão. O Norte e o Nordeste são muito ligados, então estar aqui em Campina Grande hoje é a realização do sonho mais bonito.”
O Filho do Piseiro definiu o sentimento de pisar no solo sagrado da Paraíba com um espetáculo de grande magnitude, “Pra mim, eu tô sonhando ainda, eu tô em êxtase! Em tão pouco tempo de ascensão nacional, tá tocando no palco do Maior São João do Brasil”.
O show trouxe elementos marcantes do vaneirão, acelerando o compasso do São João. O cantor dominou a coreografia apresentando o autêntico passinho do forró de Manaus, em determinado momento, quebrando todos os protocolos de segurança, o artista declarou: “Quem me trouxe aqui foi o povo e eu vou para o meio do povo”, descendo do palco principal e indo literalmente para os braços da multidão para cantar junto com os fãs.
Rafael Costa/Rede Primeiro Minuto


